Editorial
A Arte de fazer silêncio

Vivemos num mundo marcado pela insegurança, desconfiança, corrupção, luta fratricida pelo poder, procura exasperada da imagem, da vanglória, e pelo culto, mais ou menos velado, de egoísmos inerentes à natureza humana, e que sobressaem de forma manifesta naqueles que ainda não interiorizaram,reflexiva e criticamente, os valores definidores do carácter e da vontade.

Expostos como nunca aos constantes apelos ao consumo, à fachada, ao parecer sempre jovem e elegante, e à perfeição aparente, facilmente nos deslumbramos com o que não é, com as quinquilharias que hipnoticamente nos surgem como preciosidades sempiternas. É isto que, infelizmente, nos apresentam, em geral, os média do nosso país. E é por isto que hoje temos pessoas, em Portugal, que se recusam a ver telejornais, a ouvir noticiários ou a ler jornais. São, dizem elas, caminhos seguros para a melancolia e para a perda da esperança…

Será a realidade assim tão desafortunada e cruel? Viveremos nós uma realidade tão penosa e vil como nos é constantemente apresentada? Do mundo apenas restará o engano, os malabarismos verborreicos, as catástrofes e os escândalos …? Serão os média reprodutores fiéis, ou, pelo menos, insuspeitos intérpretes da realidade? Se a realidade é somente a que passa nos média nestes últimos tempos, então, o nosso país precisa de uma cura a sério! Se assim não for, são os média que devem curar-se!

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